Pretas nas letras

No mês da mulher negra e latino-americana, jovens escritoras relatam obstáculos a mais na literatura independente
Cultura ballroom chega às periferias e reforça cena cultural LGBTQIA+

Com origem norte-americana, movimento se insere na dança, na moda e na performance para combater o preconceito
Informação e orgulho no fone de ouvido: podcasts de quebrada

Moradores de periferias encontram nas narrativas populares em áudio um caminho para trocar informações confiáveis e contar suas histórias
Influência da influência: 35 anos de Fuck tha Police

Rafael Felix narra a experiência de ver — e fotografar — um ídolo, seu e de milhares de jovens negros do mundo, e o porquê ainda é necessário gritar “que se f*** a polícia”
Representatividade LGBTQIA+ no Movimento Escoteiro

A representatividade LGBTQIA+ no escotismo tem aumentado com os anos, em um ambiente em que todos podem ser expressar e serem acolhidos
Favela Style: A Moda Das Quebradas

Marcas periféricas mostram que moda nas quebradas não é só roupa, mas representatividade, autoestima e trabalho
10 influenciadores indígenas para você se conectar

Curadoria apresenta influenciadores indígenas que trazem novas perspectivas de mundo para as redes sociais.
Coletivo fomenta presença de mulheres no grafite

Coletivo Grapixurras das Minas promove encontros entre mulheres do grafite e busca garantir ambiente seguro para colocarem sua arte no mundo
Re-Farm Cria: edital para quem inventa a moda brasileira

Re-Farm Cria seleciona projetos de jovens profissionais da moda para incentivo financeiro de R$ 25 mil. Últimos dias para inscrição.
Heróis Negros: A busca da representatividade na cultura geek

Reportagem de Camila Santana Quaresma, Daniel Pahl Camargo, Giovanna Elis Nascimento Dantas, Ingrid Riedel Pereira (RA 819120109), Kaique Santos Maia e Thais Benica, alunos do curso de Jornalismo da Universidade São Judas Tadeu, parceira da Emerge Mag. Ilustradores negros dão nova cara e narrativa à cultura geek, dominada por personagens e criadores brancos e ocidentais Quem abre uma revista em quadrinhos e a folheia em busca de grandes histórias e aventuras, talvez nem perceba que existe um problema recorrente na cultura geek: a falta de representatividade negra e africana. Nesse universo fantástico, dominado por personagens brancos e ocidentais, encontrar um único herói negro ou heróina negra é como descobrir uma pérola rara no meio de um vasto oceano. Mity Dias e Marília Marz, ilustradoras e quadrinistas independentes, buscam mudar esse cenário, representando pessoas pretas em suas obras autorais. O propósito, elas contam, é mudar a vida das novas gerações com personagens que de fato reflitam suas feições. “As crianças de hoje terão figuras que não tivemos como parte de seus imaginários, como princesas e super heróis negros e cuja história não gira em torno da cor da pele” – Mity Dias Embora existam personagens negros em algumas séries de TV, filmes, quadrinhos e jogos, como a Tempestade dos “X-Men”, o Finn de Star “Wars episódios VII, VIII, IX” e o caçador de vampiros Blade, via de regra, personagens negros são estereotipados na cultura geek como gangsters ou bandidos, sub-representados ou utilizados de maneira secundária, cuja a única finalidade é dar blackwashing (maquiagem) a uma produção. A falta de diversidade na frente da tela, atravessa até os bastidores. Poucos são os criadores, escritores, diretores ou produtores de conteúdo negros no segmento geek. O que por sua vez, leva a uma falta de compreensão e sensibilidade em relação às experiências e perspectivas dos personagens negros que venham a ser retratados. Marília afirmar ser desanimador notar que não há referências negras no topo da cadeia editorial. Autora da história em quadrinhos “Indivisível”, uma narrativa sobre a cultura negra e leste asiática no bairro da Liberdade, em São Paulo, ela pergunta: “Até que ponto depende de mim? Meu objetivo não é ser desenhista da Marvel, mas se fosse, confesso que não sei se é possível chegar lá. Existem algumas mulheres que chegaram próximo, mas não lá”. LEIA TAMBÉM: Autoras negras brasileiras para se inspirar – Emerge Mag A reportagem conheceu Mity e Marília, na última edição da PerifaCon, evento que reúne diversos fãs da cultura Geek na periferia para prestigiar justamente a arte nerd feita na periferia paulista. Mity destacou a diferença do evento para outras feiras geeks, cheias de quadrinistas brancos, heterossexuais e cisnormativos. “Participar de uma experiência dessas fez eu me sentir em casa. As pessoas de lá me fizeram sentir como semelhante o tempo todo e saber que o lugar onde estava existe para fazer a diferença na vida de todas as pessoas”, conta Mity. A representatividade negra na cultura geek tem sido assunto recorrente de debate e ganhou destaque quando da estreia de “Pantera Negra”, filme da Marvel que apresenta um elenco predominantemente negro. O filme não só se tornou um enorme sucesso de bilheteria, mas também inspirou um senso de orgulho e empoderamento em pessoas negras em todo o mundo. Com personagens fortes e bem desenvolvidos, a história retrata uma visão positiva e poderosa da cultura negra e africana. #WakandaForever “Quando eu era criança eu tinha uma boneca Barbie preta e na época eu não soube dizer por que eu gostava mais dela do que das outras bonecas [brancas]. Hoje eu vejo que tinha mais afeição por ser parecida comigo e isso ser, na verdade, uma questão de representatividade”. Apesar disso, a presença de protagonistas negras nas telas e quadrinhos ainda parece ser um problema para alguns. A escolha de Halle Bailey, uma mulher negra, para o papel de Ariel na adaptação em live-action de “A Pequena Sereia”, gerou uma onda de racismo nas redes sociais. Muitas pessoas questionaram a decisão da Disney de escalar uma atriz negra para um papel originalmente representado por uma personagem branca. Tamanha mobilização pelo inverso, nunca se viu. Mas tal posição, só reforça a importância de continuarmos a discutir e trabalhar para alcançar uma maior diversidade e inclusão em todas as produções culturais. #FogoNosRacistas “Há quem diga que há uma ‘representatividade excessiva’, mas é só o mercado buscando fazer o mínimo para atender uma demanda. No fundo, a indústria continua extremamente branco” Anderson Awvas O anseio de se ver retratado fez, desde criança, o designer e ilustrador Anderson Awvas, criar personagens negros podereosos. Ele é idealizador do projeto cultural “Folclore BR: Uma Nova Visão” e autor de diversos quadrinhos, assim como do curta-metragem “Eu Sou Caipora”. O quadrinista lembra que não basta ter quem faça, é preciso também ter quem consuma essas produções. Para ele, consumir o trabalho desses artistas é fundamental para a manutenção de seus projetos e para dar voz a uma comunidade que historicamente foi sub-representada. E lança um desafio: ”Vá agora no seu streaming favorito e veja quantas obras com protagonismo negros ou de produtores não brancos você está de fato assistindo. Se houver mais de dois pretos, é porque você fez uma força bem grande para mudar sua lista de recomendações”. O que é o Afrofuturismo? – Emerge Mag Afrofufurismo é uma ideia de futuro próspero e tecnológico a partir de perspectivas negras. Conheça artistas e obras que forjaram o movimento.