Onnika amplia os horizontes no hip hop feminino

07/07/2025

Com letras potentes e presença, Onnika se destaca no trap feminino ao cantar as suas verdades num cenário ainda dominado por homens.

“Nesses manos eu não confio
Porque eles copiam o drip
Só fala merda no mic
Mas me vê e não dá um pio”

Com versos afiados e a energia pulsante, Onnika, 24 anos, tem conquistado cada vez mais espaço na cena do rap nacional. Natural de Diadema, cidade da Região Metropolitana de São Paulo, a cantora e compositora acumula mais de 35 mil ouvintes mensais no Spotify, apresentações em grandes festivais e participações em trabalhos de grandes artistas.

Impulsionada por hits como “T SHIRT” e “Alvo“, a artista se consolidou como uma das vozes mais promissoras do trap feminino no Brasil.

Para compreender o recente sucesso, é necessário voltar a trajetória da artista, principalmente a sua infância. Aos sete anos, ela já se apresentava na igreja, onde encontrou na música gospel as primeiras oportunidades de expressão.

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A rapper diz que a arte teve um papel transformador em sua formação pessoal, com a música se tornando ferramenta principal para traduzir suas vivências e emoções. 

“Lá na minha periferia, eu tive acesso à arte, o que fez total diferença na minha caminhada e na minha vida.”

Onnika.

Apesar de perceber que tinha talento para a música, a ideia de seguir carreira na área parecia distante. Seu plano inicial era estudar, ingressar na faculdade e conquistar uma vida estável. No entanto, o rap se mostrou promissor para canalizar sua ambição e conquistar autonomia.

Aos 15 anos, ela deu os primeiros passos na música, ao participar de um pequeno grupo musical. Na buscava por referências para alimentar a criatividade, se apaixonando por Nicki Minaj, uma das maiores rappers dos anos 2010. “Eu a admiro muito”, diz. “Ela abriu portas para mulheres em um cenário onde o protagonismo feminino eram muito pequeno”.

A influência foi tanta que Onnika escolheu o seu nome artístico em homenagem à artista americana, cujo nome de batismo é Onika Tanya Maraj-Petty. Assim como sua inspiração, a brasileira se posicionou para redefinir os papéis femininos no gênero, com letras que refletem força, resistência e autenticidade. 

A MÚSICA DIVISOR DE ÁGUAS

Em 2019, aos 19 anos, Onnika lançou seu primeiro single autoral, “AyoBih”, que rapidamente a projetou como uma das revelações do trap brasileiro. Desde então, colaborou com grandes nomes, como Tasha & Tracie, Veigh, Bin, Duquesa e Febem, o que ampliou o seu alcance no cenário musical.

Cantora e compositora Onnika, cantando no festival CENA em 2023
FUSÃO DE ESTILOS: Onikka no festival CENA2K, em 2022 (foto: Alexandre Bergon).

O ano de 2022 marcou uma nova fase em sua carreira com o lançamento de seu primeiro EP, intitulado ONNiKA.

O projeto, distribuído pelo selo SANTI Music, reúne seis faixas que exploram uma mistura de Trap, Soul e R&B, mostrando uma versatilidade da artista.

Ela explica que a intenção foi explorar novas sonoridades e “mostrar que posso transitar por diferentes gêneros, mas sem perder minha essência”.

E deu certo. O EP chama a atenção pela ousadia e fusão de estilos, refletindo um amadurecimento artístico da rapper.

Com a boa repercussão, ela foi convidada para cantar no festival CENA2K, o maior evento de trap da América Latina.

Embora já tivesse cantado em edições anteriores do festival, a edição de 2022 foi diferente. Pela primeira vez, ela cantou no palco principal. O show conquistou a atenção do público e da crítica especializada. A jovem foi elogiada por sua presença de palco, capacidade vocal e conexão com a plateia.

O impacto da apresentação se refletiu diretamente no aumento de ouvintes mensais nas plataformas de streaming e no engajamento de suas redes sociais.

“Cantar no CENA foi surreal. Estar naquele palco, ao lado de artistas que admiro, foi a validação de que eu estava no caminho certo.”

Onnika.

E os eventos continuam a favor da cantora. O consumo de trap e rap tem mostrado crescimento exponencial no Brasil. Em 2022 e 2023, o streaming de músicas do gênero cresceu 90%, atingindo 2,1 bilhões de reproduções no Spotify. Além disso, em 2024, metade dos artistas mais ouvidos no Brasil eram de trap e funk. Os dados são da Crowley, empresa que monitora transmissões digitais no país.

FAZENDO A DIFERENÇA

Em maio, Onnika lançou pela On The Radar um freestyle — prática de improvisar letras e rimas durante uma performance, sem roteiro ou preparação prévia. Com mais de 1,4 milhões de inscritos, o canal do Youtube apresenta entrevistas, freestyles e performances de artistas de todo o mundo. Atualmente, o canal tem feito um especial com artistas brasileiros, espalhando o rap e trap nacional mundo afora.

Em um universo historicamente dominado por homens, Onnika mostra que talento, autenticidade e determinação são ferramentas poderosas para alcançar novos lugares.

“Eu vejo minha caminhada como uma construção contínua. Não quero só estar no cenário, quero deixar minha marca. Quero que as pessoas lembrem da Onnika como uma artista que fez a diferença.”

Onnika.

Buscando se estabelecer como uma voz importante do movimento feminino no rap, ela quer inspirar uma nova geração de artistas que buscam autenticidade em suas narrativas. Para ela, rap é sobre expressão e contar a verdade, e Onnika tem cantada as suas.

FOTO DE ABERTURA: Thais Rodrigues.

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Revista digital de cultura, direitos humanos e economia criativa interseccional e consultoria de diversidade e impacto social (ESG).

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