Reportagem de Arthur Valias, Enzo Castelhano, Enzo Milano, Larissa Dias, Leonardo Castelhano e Pedro Lopes, alunos de jornalismo da Universidade São Judas Tadeu, realizada via convênio de ensino dual com a Emerge Mag, sob supervisão de Rose Naves.
Nos últimos meses, os estudantes Brenno dos Reis, 16, e Juliana Medrado, 19, aprenderam astrologia. Embora jovens e com um longo futuro pela frente, eles não estão tão preocupados no que significa a lua em sagitário ou o sol em virgem. O foco deles é o carnaval.
Mas o que astrologia tem a ver como a maior festa popular brasileira?
Brenno e Juliana fazem parte da bateria da Rosas de Ouro. Atual campeã do Grupo Especial de São Paulo, a escola levará para a avenida um desfile com o tema Escrito nas Estrelas. A promessa é percorrer o caminho da criação do universo até o momento em que as civilizações passaram a usar os astros como guia.
Tanto Brenno quanto Juliana são alunos do projeto Samba se Aprende na Escola. A iniciativa usa a música para promover a inclusão social de jovens das periferias da zona norte de São Paulo, onde fica a sede da Rosas de Ouro.
As aulas acontecem na quadra da escola, nas tardes de sábado. O principal objetivo é transmitir as raízes do samba — o que por si só já é uma imersão em História do Brasil — e despertar o interesse dos alunos por instrumentos como chocalho, repique, tamborim e agogô.
De acordo com Juliana, aluna desde 2022, as aulas aumentaram tem aumentado a sua capacidade cognitiva.
“Tenho mais responsabilidade e compromisso com as tarefas do dia a dia. As aulas de música me tornaram mais focada, tanto dentro da escola quanto no cotidiano além do samba.”
Juliana Medrado, aluna do Samba se Aprende na Escola.
Por sua vez, Brenno, que participa do projeto desde os 7 anos e hoje é diretor da bateria mirim da escola, conta que deseja se profissionalizar. “A música é uma oportunidade de carreira”, diz ele. “Com o samba conheço novas pessoas, lugares e artistas que me inspiram”.
Outro aluno do projeto da Rosas de Ouro é Leonardo Oliveira. O jovem foi matriculado pelos pais, Hugo e Alcione. Ambos afirmam que o comportamento e nível intelectual do jovem melhoraram muito por causa das aulas.
“O samba é de origem preta. As crianças também aprendem sobre ancestralidade e passam dar sentido à vida, o que é fundamental”.
Alcione Oliveira, mãe de aluno.
O PODER DA ARTE EDUCAÇÃO
Criado em 1995 pelo então presidente da Rosas de Ouro, Eduardo Basílio, o Samba se Aprende na Escola tem transformado a vida de inúmeras famílias por meio da arte e educação musical.
De acordo com o atual diretor do projeto, Ricardo de Freitas Barranqueiro, o Ricardo Tripa, o intuito é desmarginalizar os jovens, tirá-los do mundo das drogas e formá-los profissionalmente na música.
“Na minha juventude, me sentia desamparado”, diz Ricardo. “Foi no samba que encontrei um propósito. O mesmo acontece com alunos hoje. Alguns já fazem turnês na Europa e Estados Unidos.
Atualmente, Samba se Aprende na Escola atende 300 crianças e jovens. Ruan Carvalho, diretor de bateria do projeto, conta que crianças com deficiência também são acolhidas. Em todos os casos, é comum os pais comentarem que os filhos têm passado menos tempo na rua para se dedicar aos treinos musicais em casa.
Ricardo Tripa confirma que o desenvolvimento dos alunos é visível. “Os pais dizem que as crianças ficam mais comunicativas e extrovertidas”.
Em 2025, pela primeira vez, alunos do projeto foram promovidos à bateria oficial da Rosas de Ouro, um marco que simboliza a força e o talento revelados ao longo dos anos.
Há poucos dias do Carnaval 2026, o desejo, além do sucesso na avenida, é que o samba continue transformando vidas.







