Influência da influência: 35 anos de Fuck tha Police

Rafael Felix narra a experiência de ver — e fotografar — um ídolo, seu e de milhares de jovens negros do mundo, e o porquê ainda é necessário gritar “que se f*** a polícia”
A nova onda de alisamento entre mulheres negras

Movimento do cabelo natural cresceu na última década, mas algumas mulheres estão desistindo de investir tempo e dinheiro para manter os cachos ou o crespo perfeitos
Futebol de várzea gera mercado de uniformes de times periféricos

#EmergeReposta: Texto de Paula Sant’Ana (texto) e Pedro Salvador (fotos). Edição: Thiago Borges. Arte: Rafael Cristiano . Originalmente publicado no Periferia em Movimento. O Água Santa, que veio do futebol amador para o profissional há pouco mais de uma década e chega a sua primeira final na elite, é a ponta de uma cena gigante em SP. Com camisetas inspiradas em grandes clubes, como Barcelona ou Corinthians, e elementos da própria quebrada, times de várzea catapultam negócios especializados nas periferias. A gente mostra os bastidores de uma dessas empresas! A final do Campeonato Paulista, cuja primeira partida é neste domingo (2/4), tem um estreante: o Água Santa, que vai disputar o título com o gigante Palmeiras. O clima é de revanche, afinal em 2016 o time da periferia de Diadema derrotou o alviverde por 4 a 1, rendendo memes e provocações na internet. Os feitos são grandiosos para um time que começou no futebol amador e se profissionalizou apenas em 2011. E esse sucesso da agremiação é a ponta mais visível do que rola nos campos de várzea. A cena antiga e numerosa nas quebradas paulistanas tem competições próprias e reúne times tradicionais como o Inajar de Souza (da Cachoeirinha, zona Norte) e o Vila Fundão (na zona Sul) a grupos mais recentes e ligados a pautas sociais, como o Perifeminas (em Parelheiros, Extremo Sul) ou o Meninos Bons de Bola, formado por homens trans. Isso extrapola a paixão pelo futebol. A várzea gera uma demanda de camisetas, calções, blusas, bonés e outros artigos esportivos personalizados, que traduzem histórias e identidades de cada quebrada – uma oportunidade para fazer negócios e gerar renda. “A GENTE NÃO TINHA O INVESTIMENTO QUE PRECISAVA NA ÉPOCA, E AS COISAS FORAM ACONTECENDO ASSIM. A GENTE FOI PEGANDO EMPRÉSTIMO, VENDENDO CARRO, BENS… AQUELES BENS PEQUENOS QUE TINHA PARA CONSEGUIR INVESTIR NO MAQUINÁRIO E CONSEGUIR FAZER O PRIMEIRO BONÉ” RAFAEL HEYN O designer de 36 anos é um dos fundadores da A Fábrica Cria, uma das principais fornecedoras de material esportivo para a várzea de São Paulo, ao lado de outras empresas, como a KSports e a Uniex, por exemplo. Até empreender, Rafael já foi motorista de táxi e produziu banners e flyers. Antes disso, formou identidade, jogou e presidiu times da quebrada, como o Panela Problema Futebol Clube, agremiação criada em 2002 no Jaraguá (zona Noroeste paulistana), onde cresceu. A vivência na várzea alimentou um sonho, rendeu conhecimento do que os times queriam e possibilitou contatos de potenciais clientes. Membro de uma família com experiência em costura, Rafael engatou a Cria quando encontrou um sócio. Fundada oficialmente em julho de 2020, em momento crítico da pandemia de covid-19, a Cria começou fazendo bonés personalizados para times locais. Logo, vieram camisetas, agasalhos, corta-ventos e uniformes completos. Hoje, a empresa tem uma fábrica própria na Vila São José (Extremo Sul de São Paulo) e 3 lojas na capital paulista. Além do Rafael, a empresa conta com mais 3mentes criativas que fazem todo o trampo rolar: Ed Faustino, cuidando de relacionamento e produção; Kleber Santos, à frente dos detalhes do bordado e também da produção; e Thiago Leal, na responsa da costura em geral. LEIA TAMBÉM: Jogue como uma mulher com as LeSisters – Emerge Mag CHAMA NO ZAP De camisas inspiradas em times como Barcelona, Corinthians e outros grandes do futebol a “mantos” com aquele toque original da várzea, são muitos os detalhes que compõem o trampo. “O cliente já chega falando o que ele quer. Se é um uniforme, uma camiseta, um boné. Essas informações geralmente são acompanhadas do logo do time, no nome, na região, no bairro, no mascote… Então, é esse conjunto, né? Isso já abre a mente dos nossos designers, que têm um conceito próprio do Cria”, detalha Rafael. A marca se tornou conhecida nos próprios campos e nos grupos de whatsapp, em que dirigentes acabam indicando contatos. A chamada via zap responde por 80% dos pedidos, que também são feitos a partir de buscas no Google, em páginas do Facebook ou Instagram. “VOCÊ CONSEGUE TER SEU TELEFONE ‘POLUÍDO’ (CONHECIDO) PELA VÁRZEA TE CHAMANDO: ‘QUERO UM DESENHO, QUERO UMA UMA ARTE, QUERO UM BONÉ” RAFAEL HEYN Em geral, a pessoa que deseja encomendar as peças entra em contato com os detalhes do que precisa e as principais ideias. Alguém representante da Cria responde e, se necessário, tira dúvidas para fechar o pedido – o mínimo é de 10 unidades. Depois de acordado, o pedido segue para o grupo de designers. Com a aprovação, o próximo passo é a confecção. Cada loja tem alguém como representante e o atendimento pode ser feito tanto remota quanto presencialmente. Por meio de uma sistematização para organizar os pedidos, assim que a solicitação é feita ela já chega direto na Cria e os processos começam a correr. Existe uma logística de entrega em cada loja, mas a fábrica também possui contrato que permite o envio para o Brasil inteiro. “Entramos em dezembro vendendo em um prazo de 5 dias. Hoje, nosso prazo é um dos melhores das confecções em São Paulo”, explica Rafael. Atualmente aposentado, Evaldo Santana, 52, é diretor e jogador do Grêmio Esportivo Castelo, time do Parque do Castelo (zona Sul paulistana). Há 10 anos, ele conhece Rafael – e logo tornou-se um cliente da Cria. “Sempre estão inovando, buscando sempre melhorar a qualidade e tem um relacionamento aberto com os clientes”, conta. As relações estabelecidas no futebol também contribuíram para conquistar a clientela do Coréia Zona Sul, time de várzea do Grajaú. O fundador do grupo conhece os sócios da Cria há bastante tempo, o que facilitou para fechar negócio. “O que acredito que me fidelizou foi o valor compatível com os concorrentes, o material deles é muito bom e por motivos de amizade do dono do time”, observa Renê Batista, 36, que trabalha com transporte e atua no Coréia. “Os modelos têm muitas variedades, onde você tem a possibilidade de fazer chaveiros, bonés, bandeiras, bolsas, agasalhos, dentre outros”, completa. Texto originalmente publicado no Periferia em Movimento. Marcas de quebrada
Favela Style: A Moda Das Quebradas

Marcas periféricas mostram que moda nas quebradas não é só roupa, mas representatividade, autoestima e trabalho
As favelas têm memória: o lugar dos territórios periféricos como patrimônio cultural

Favelados reivindicam direito à memória para terem possibilidades de exaltar sua cultura e construir novos futuros
10 influenciadores indígenas para você se conectar

Curadoria apresenta influenciadores indígenas que trazem novas perspectivas de mundo para as redes sociais.
Coletivo fomenta presença de mulheres no grafite

Coletivo Grapixurras das Minas promove encontros entre mulheres do grafite e busca garantir ambiente seguro para colocarem sua arte no mundo
Colorido e multifacetado, Danilo Timm lança álbum solo

Em entrevista exclusiva, Danilo Timm relata processo de tradução de sua identidade em álbum e porquê misturou ritmos
“Museus são políticas públicas de memória”

Distritos da região leste, onde nasceu o pesquisador João Pedro Rodrigues, são os que menos concentram museus, são apenas quatro; já a zona oeste tem 48.
Egressas do sistema prisional batalham por espaço na sociedade

Egressas do cárcere relatam dificuldades de ingressarem no mercado de trabalho e como encontram no teatro espaço para mostrar seu valor.