Quintessência: a melhor versão de Zudizilla

25/09/2026

Novo álbum do rapper gaúcho chega carregado de jazz, letras afiadas e muito groove

Depois da trilogia “Zulu” (2019 – 2023) e do EP “Le Fauve” (2024), o rapper Zudizilla, natural de Pelotas, no Rio Grande do Sul, lança seu quinto disco de estúdio.

Com o jazz e o rap dividindo o mesmo espaço, “Quintessência” chegou às plataformas de streaming na noite do último dia 24 e conta com 16 faixas, gravadas no Movido Estúdio, em São Paulo.

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QUINTESSÊNCIA: novo álbum de Zudizilla traz as rimas do rap e a sonoridade do jazz (foto: Thais Vandanezi)

Na obra, o cantor afirma estar em sua melhor versão, atingindo um patamar de cura pessoal e liberdade criativa ao colocar em prática a sonoridade que imaginava, flutuando entre os beats de rap e a fluidez do jazz.

Em entrevista à Emerge Mag, durante uma audição exclusiva, ele comentou sobre essa nova fase.

“A trilogia Zulu me deixa muito feliz, mas são músicas que escrevi em 2016, demorei muito para botar os três trabalhos na rua. Agora, do jeito que consigo materializar minhas ideias musicais, sinto que é a melhor versão minha que já esteve na Terra. Isso se deve a todo o entorno, às oportunidades e às possibilidades de traduzir a sonoridade que soa na minha mente quando escuto rap ou jazz. O meu impulso enquanto artista é trazer esse olhar de arte para o mundo, independente da dificuldade”, explica.

ORGÂNICO

O projeto ganha o mundo sem um single prévio, uma escolha do compositor, que deseja que o público ouça o material por completo, compreendendo as camadas que as faixas trazem. Apesar disso, em seus lançamentos recentes, como “Carne Dura”, ele já dava dicas do som em que andava trabalhando.

O álbum é resultado de pesquisa, misturando rap, jazz, samba e soul em um estilo disruptivo, que vai na contramão do que o mercado “mainstream” pede atualmente.

ZUDIZILLA: liberdade para criar foi essencial para o resultado do álbum (foto: Thais Vandanezi).

A banda divide os holofotes com o MC, com o baixo ditando o ritmo. Primeiro vem o jazz, depois o disco passeia por beats eletrônicos e retorna de vez para o instrumental com naturalidade, sem que o conceito se perca.

Zudizilla conta que a sonoridade surgiu de forma espontânea, sem imposições. O gaúcho decidiu levar a banda para o estúdio para trazer para o disco gravado a mesma liberdade e magnitude que o show tem.

“Trouxe eles para dentro do processo e produzi o álbum todo. Cada pessoa, instrumento, violino ou guitarra que entrou no projeto trouxe uma característica e personalidade própria. Eu não estava ali para limar a potencialidade de ninguém, mas para extrair o melhor de cada um”, diz.

O trabalho conta com participações de Aori, Bruna Mendez, Catto, Cristal, Febem, Luciana Mello, Renato Borghetti, Vitor Ramil e Ubiratan Marques. “Meu maior trabalho foi a curadoria de organizar quem entrava em qual momento. Sei que estive com os melhores músicos que podia ter ao meu lado”, relata.

A ESCRITA

Há 7 anos em São Paulo, ser migrante ainda afeta a composição do rapper. Para ele, usar referências paulistanas e escrever como alguém da cidade seria matar o Zudizilla gaúcho. Porém, foi no berço do rap nacional onde ele encontrou um ambiente em que seu som e seu jeito de rimar foram aceitos.

“O que me equipara a outros cidadãos é ser um cara de periferia, onde todos sofrem praticamente as mesmas coisas. Porém, cheguei a um momento em que o princípio de dor, drama e batalha não constrói mais a minha narrativa. O Zulu dramático passou, por isso é a minha melhor versão: São Paulo interfere, mas o Rio Grande do Sul permanece”, completa.

Neste trabalho, ele aponta que o processo composicional foi mais fácil, justamente por não ter as “amarras” do beat. Os estilos do jazz, com andamentos rápidos e improvisações, casou com o “flow quebrado” do artista, que foge de regras com um estilo singular no cenário nacional.

CURA: maturidade e superação de traumas facilitaram a composição do rapper (foto: Thais Vandanezi).

Na produção orgânica, o músico se soltou e a banda acompanhou, sem pressões para que a voz encaixasse em um formato ou tempo certo. Ele demonstra gratidão por alcançar um patamar em que sua poética funciona sem precisar podar sua escrita.

Para o MC, o maior desafio foi a produção, edição e imersão no conceito proposto. O rapper participou diretamente de todas as etapas, desde a construção narrativa até a pesquisa de equipamentos, fase que define como complexo e, ao mesmo tempo, prazeroso.

Quanto à sua identidade artística, ele se policia para manter a essência do rap, com letras aprofundadas e encontrando um espaço confortável para o seu flow. “É um pouco de rap, um pouco de mim, um pouco de nada, um pouco de samba, e coloco tudo para ver se funciona. É a primeira vez que eu consigo fazer isso e estou muito feliz com o resultado. Estou extasiado e querendo que todas as pessoas escutem”, conclui.

Quintessência já está disponível em todas as plataformas de streaming.

Foto de abertura: Thais Vandanezi

Quem escreveu

Foto de Matheus Santino

Matheus Santino

Repórter com cinco anos de experiência em jornalismo investigativo, cultural e local. Em 2021, foi aluno do Curso de Jornalismo Ágil da Emerge. Posteriormente, trabalhou na Agência Pública de Jornalismo Investigativo, Agência Mural de Jornalismo e O Estado de São Paulo. Cocriador do projeto editorial O Novo Getulino, focado em negritude e história da imprensa negra brasileira.

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