Núclea Tranzborde tem curta selecionado em festival

Curta Tranzmutações Pandemykaz, da Núclea Tranzborde, formado por pessoas transgêneres, registra impacto criativo da pandemia.
Documentário “Quem Tem Medo” denuncia censura no governo Bolsonaro

Documentário entrevista artistas censurades, como Renata Carvalho, e denuncia episódios de violência no governo Bolsonaro.
O que é Muximba? Palavra africana se popularizou com Luedji Luna

Palavra Muximba tem origem banto, que compõe parte do nosso Pretuguês, e enriquece a linguagem e a cultura brasileira.
Pagode baiano: “Swingueira” também é coisa de mulher

Dos bastidores à frente da swingueira, mulheres contam como têm sido atuar no pagode baiano, um gênero predominantemente masculino.
“Pessoas São Falhas”: Meg Pedrozzo estreia EP com amor lésbico

Mulher lésbica e periférica, Meg Pedrozzo retrata relação LTBQIA+ em novo clipe de “Pessoas São Falhas”, música que leva o nome do seu álbum de estreia.
Festival Itinerância Rebel reúne bandas independentes cariocas

Gratuito, festival Itinerância Rebel durará 9 dias e terá 12 shows de artistas como Juçara Marçal, Negro Leo e Ilessi, além de oficinas e rodas de conversas.
Casa Fúria acolhe pessoas LGBTQIA+ sobreviventes do cárcere

Inaugurada em 11 de junho, Casa Fúria oferece atividades culturais e formativas, além de discutir o abolicionismo penal e as vulnerabilidades de pessoas LGBTQIA+ nas prisões.
Juçara Marçal sai em turnê com aclamado “Delta Estácio Blues”

Com 30 anos de carreira, Juçara Marçal sai em turnê pelo Brasil para apresentar seu segundo álbum solo e lança clipe da música “Sem Cais”.
Luíza Fazio: lésbicas na frente e atrás das câmeras

Roteirista de “Sintonia”, Luíza Fazio escreve longa-metragem infantil sobre um amor lésbico e quer subverter normatividade que ronda o cinema Histórias de amor lésbico são documentadas há pelo menos 2,6 mil anos. No século 6 a.C., a poeta Safo já colocava como tema central de suas obras relacionamentos homossexuais entre mulheres. Inclusive, é por causa dela que usamos a palavra lésbica, que originalmente designa “alguém de Lesbos”, ilha grega em que a poeta vivia. Por que, então, é tão difícil vermos essas relações representadas na televisão, nos livros ou no cinema? Escritora de séries como “Sintonia” (Netflix), “Sentença” (Amazon Prime), “LOV3” (Amazon Prime) e “Cidade Invisível” (2ª temporada/Netflix), a roteirista Luíza Fazio tenta subverter essa normatividade que ronda as histórias que assistimos nas telas e lemos nas páginas dos livros. Em sua trajetória, a brasileira conta histórias de protagonistas diversos, sobretudo mulheres e pessoas LGBTQIAP+, com o objetivo de ampliar olhares e narrativas e mostrar contextos poucos vistos nas telas. Luiza diz que o lance é não imaginar personagens dentro de estereótipos, e sim humanizá-los dentro de suas diferenças. “Quando há personagens complexos, lidando com diferentes problemas, o público engaja e torce por eles. Humanizamos a experiência de alguém que existe na vida real” Recentemente, a roteirista foi nomeada pela embaixada dos Estados Unidos em Brasília para a residência artística The International Writing Program (IWP) da University of Iowa (EUA). Desde 1967, o programa reúne anualmente 35 escritores de todas as partes do mundo, incluindo os brasileiros Milton Hatoum e João Ubaldo Ribeiro. Além disso, ela escreve uma série de comédia para a Paris Entretenimento e, ao lado de Anahí Borges, seu primeiro longa-metragem de animação: uma adaptação para o cinema do livro “A Princesa e a Costureira” (2015), de Janaína Leslão, que conta a história de uma princesa que se apaixona pela costureira de seu vestido de noiva. Em entrevista à Emerge Mag, a roteirista Luíza Fazio conta como tem sido a experiência de integrar a residência artística mais antiga do mundo, fala sobre os seus novos projetos e comenta sobre diversidade na frente e atrás das câmeras. Confira abaixo a entrevista completa com a roteirista Luíza Fazio Falando dos seus projetos futuros… Vi que você está trabalhando em uma animação. Poderia me falar mais sobre isso? Essa animação é uma adaptação de um livro infantil da Janaína Leslão “A Princesa e a Costureira”, em que uma princesa se apaixona pela costureira do seu vestido de noiva. Eu e a Anahí Borges (corroteirista) estamos adaptando esse livro para um longa-metragem e é a minha primeira vez trabalhando com longa e animação. Eu decidi entrar nesse projeto porque sempre foi o meu sonho escrever um longa infantil, especialmente um musical, e a história e a temática me envolvem muito. Acho que pode ser algo muito bonito e que traz a perspectiva de um relacionamento lésbico atual para crianças de uma maneira muito natural e fofa, porque é assim que é. Você acredita que o cinema vem dando mais espaço a relacionamentos lésbicos? Como você enxerga as narrativas dessas personagens? Acredita que ainda são muito apagadas/fetichizadas? Acho que o cinema vem dando mais espaço para relacionamentos lésbicos, mas a narrativa ainda é muito sobre duas mulheres brancas e femininas. É uma estética de casamentos lésbicos que “vendem”. É muito difícil vermos um relacionamento entre duas mulheres butches, duas mulheres negras, ou gordas. São relacionamentos que têm dilemas e questões diferentes do que o casal lésbico padrão. Como agora as coisas estão se abrindo um pouco mais, dá para explorarmos outras narrativas. Uma tentativa interessante foi em Euphoria, onde temos a relação entre a Rue (Zendaya) e a Jules (Hunter Schafer), que é uma menina trans. O caminho que foi levado na segunda temporada foi horroroso mas, enquanto primeira temporada, tem questões muito interessantes da sexualidade da Jules em relação a Rue, que são outras complexidades. Em várias entrevistas suas, você comenta sobre a falta de diversidade por trás das câmeras. Como você acha que isso impacta na falta de diversidade em frente às câmeras? Acredita que uma coisa está diretamente relacionada à outra? Sim, com certeza. Eu falo muito da representatividade LGBTQIAP+ porque a gente sente na pele o “cadê eu”. E esse sentimento faz a gente criar um senso crítico do quão importante é colocar diferentes narrativas, vozes e pessoas em tela para mostrar que elas existem e são complexas. É uma forma de ajudar a visibilizar diferentes narrativas que não só a “hollywoodiana” do homem cisgênero, branco e hétero. Acho que quanto mais a gente consegue diversificar as pessoas que estão atrás das câmeras, mais esse assunto é tratado com naturalidade e sai de uma esfera “a gente precisa ter um personagem gay porque senão seremos cancelados na internet”. Sai da necessidade de ser apenas uma estratégia de marketing para ser algo que as pessoas realmente se importam. Como está sendo a experiência de ser uma das 35 escritoras escolhidas para viver a residência artística The International Writing Program nos Estados Unidos? Quais momentos têm sido mais marcantes para você? As trocas que estamos tendo aqui são muito intensas e incríveis, porque tem pessoas do mundo todo e de diferentes backgrounds. Cada um tem a sua forma de arte e de escrita específica. Uma pessoa que me marcou muito foi Tariro Ndoro, uma poeta do Zimbábue, que é um país que não recebemos muitas notícias aqui no Brasil por milhares de fatores. Ela conta muito sobre como é a realidade no Zimbábue diante de uma inflação que se assemelha muito à que o Brasil vivia nos anos 1980. Mas, ao mesmo tempo, é incrível como as pessoas conseguem colocar isso na sua arte. O Zimbábue tem uma cena literária muito efervescente, e vários aspectos disso nós não temos acesso com tanta facilidade na mídia brasileira. Isso me inspira muito a pensar em diferentes narrativas, pessoas e realidades. Você está conhecendo pessoas de todas as partes do mundo na residência artística. Como você sente essa troca cultural das percepções
Cia Pé no Mundo: criatividade negra na dança contemporânea

Com dez anos de existência, Cia Pé no Mundo apresenta em junho a videodança “Fora da Caixa – Repertórios Corporais”, que questiona a falta de representatividade negra em espaços de arte. Segundo uma pesquisa realizada pela Agência Nacional do Cinema (Ancine) em 2016, pessoas negras representam apenas 2,5% de diretores e roteiristas no Brasil. Um levantamento do projeto Negrestudo, disponível no site Projeto Afro e feito com 24 galerias de arte da cidade de São Paulo entre 2019 e 2020, constatou que somente 4,36% des artistas eram negres, sendo 0,8% mulheres negras. Enquanto isso, pessoas brancas representavam 93,56% do total. Embora essas pesquisas sejam mais recentes, em 2012 já havia pessoas se questionando sobre a falta de representatividade negra no cenário da arte. Há 10 anos, os diretores, coreógrafos e bailarinos Cláudia Nwabasili e Roges Doglas fundaram a Cia Pé no Mundo que, além de contestar o racismo presente na dança contemporânea, busca referenciais que se relacionem com a identificação ancestral do povo preto. Conforme consta no site oficial, o pensamento da Cia Pé no Mundo se relaciona “com a circularidade ou não circularidade dos corpos negros, suas condições e ações em outros lugares que não só no Brasil”. Para isso, parte de uma perspectiva das diásporas negras africanas, que fizeram com que a população preta passasse a estar “em todos os lugares do mundo, não sendo nem mais ‘só’ negros africanos e nem negros alienados quanto à sua ancestralidade em uma nova cultura e/ou território desafiador”. No entanto, nos estudos oficiais da história da arte ocidental, são pouquíssimos os registros e documentações que representem as pessoas negras. Um dos objetivos da companhia é, assim, desenvolver pesquisas não só em dança, mas também em outros campos, como literatura, história, sociologia e comunicação, para “contribuir com a desmistificação de manifestações culturais brasileiras e afro-brasileiras, valorizando-as como elementos possíveis para a concepção da arte contemporânea, e despertar no público o interesse e a necessidade de reconhecer narrativas históricas das diferentes vivências e corpos negros”. “Por meio da linguagem da dança, queremos materializar contemporaneidades e tornar possíveis novos imaginários sobre passados, presentes e futuros negros na dança e no mundo”, explicam os dançarinos Espetáculo marca 10 anos da Cia Pé no Mundo E para comemorar uma década de existência e resistência, a Cia Pé no Mundo apresenta no mês de junho a videodança “Fora da Caixa – Repertórios Corporais”. Revisitando pensares, coreografias e mirando novos horizontes, Nwabasili e Doglas trazem intervenções guiadas pelas nuances visuais, arquitetônicas e cenográficas de onde são propostas. Além disso, reafirmam a pesquisa de linguagem e desenham novos traços, a fim de ampliar os discursos e possibilidades. “Enquanto pessoas pretas, possuímos diversos referenciais que se conectam com a nossa origem ancestral. Essas referências podem e devem ser ferramentas de materialização e corporificação dos nossos fazeres. Ainda precisamos falar sobre isso. E essa necessidade de fala só revela o quanto o racismo persiste na sociedade. A arte não está isenta dessa problemática. Ela é apenas um reflexo disso tudo”, afirmam E o nome escolhido para o espetáculo, “Fora da Caixa”, não poderia ser mais proposital. Segundo os artistas, a intenção é questionar o que é o “clássico” e, mais ainda, como foi construído o imaginário de “clássico” no Brasil, e se é possível “furar a bolha” e estar “fora da caixa” “A intervenção “FORA DA CAIXA” é sobre estar fora da caixa preta, fora dos palcos e ocupando diversos espaços, mas é, sobretudo, fora da caixa no sentido de romper com estereótipos que nos colocam em alguns lugares e nos retiram de tantos outros. Para nós, a grande reflexão deste trabalho é: Qual será o clássico brasileiro no futuro?”. As exibições começaram no dia 14 de maio e seguem até 21 de junho, entre onlines e presenciais (veja a programação abaixo). Inovador, o espetáculo traz coreografias diferentes dependendo do espaço onde acontece, já que os artistas selecionam as danças que mais dialogam com o local. Assim, o corpo interfere no espaço, enquanto o espaço interfere no corpo para a recriação. Não é necessário fazer a retirada de ingressos; basta chegar com antecedência ao local. Confira a programação completa Dia 10/6, sexta (presencial e online), às 19h – Centro de Referência da Dança (CRD) e Youtube do CRD – São Paulo Dia 11/6, sábado (presencial e online), às 19h – CRD e Youtube do CRD – São Paulo Dia 11/06, sábado – Oficina online CRD das 10h às 13h Dia 21/06 terça-feira, (exibição presencial), às 19h30 – Oficina Cultural Oswald de Andrade FOTOGRAFIA: Clarissa Lambert Reportagem produzida em parceria com a assessoria de comunicação Bianco.